Falei há pouco com importante membro da direção da RG, que afirmou ainda não saber como será a programação da emissora para o sábado e o domingo de manhã, em que acontecem treino classificatório e GP da Europa em Valência.
"O que se sabe é que, às 8 da manhã de sábado, terá final do vôlei, ao que parece, e a gente deve transmitir intercalado", disse-me tal fonte. No domingo, há a dúvida.
O 31A estava ocupado por uma moça de cabelo curto e enroladinho, entre o cacheado e o ruim, e isso até me fez sentar na poltrona atrás, sendo corrigido pela outra que me pediu por seu lugar. A que ainda estava no meu assento de direito tentava mostrar em seu tíquete que não havia o porquê de deixá-lo, então a mostrei que deveria ir para o 23 qualquer coisa. Ela perdeu a batalha, resmungou — com o fato da companhia aérea tê-la feito de boba em mudar seu posto, mas até aí a empresa faz isso sempre —, levantou-se, pegou sua maleta de mão e partiu, enquanto os dois rapazes ao lado observavam tudo, um de boné com aba para trás com barbicha rala e outro loiro natural, daqueles claros, que doíam. Eles me deixaram ir ao 31A e, ao balbuciarem uma palavra em inglês, a minha dedução e pergunta subseqüente foi óbvia: "Are you not from here?".
O de boné e barbicha falou tudo. "Viemos de Minnesota", e falou, juro, como o então Henry Gale, na verdade Benjamin Linus, se identificou à Danielle Rousseau e Sayid Jarrah preso na rede do 15º ou 16º capítulo da segunda temporada de Lost. Mas em nenhum momento duvidei que eram de Minnesota, e aí percebi que corredor adiante outros tantos de feições diferentes estavam ali, inclusive um que era mais loiro que o loiro sentado a meu lado. "Um dinamarquês", sorri, mas ele era igualmente de Minnesota.
A conversa não durou muito, mas não sei por que naquele momento não lhe perguntei o nome. "Viemos jogar futebol em Natal." Não é todo dia que alguém sai da capital de Minneápolis para jogar o esporte que eles lá nos States ainda tentam se acostumar, tendo como destino o país considerado deste esporte e escolhe a capital do Rio Grande do Norte para passar duas semanas. Daí o meu uau de surpresa. Ele carregava um livro menor do que o convencional, "The Amber Spyglass", de um tal Pullman, que não era aquele que fazia pães de forma.
Fui procurar na internet, quando cheguei em casa, o que vinha a ser o tal livro, e a Wikipedia me contou que é o terceiro da série "Seus Materiais Escuros", traduzi por conta, o autor se chama Bill, a obra foi publicada em 2000, e venceu o prêmio Whitbread Book of the Year, o primeiro concedido a uma literatura infantil.
A aeromoça deu os fones de ouvido e eu tive leve dificuldade em encaixá-lo na poltrona, até que o loiro percebeu e apenas fez o sinal de que o segundo pino de encaixe era móvel. Daí eu o abaixei e disse "yeah, I'm stupid", os dois riram. Ainda me ajeitando, a moça da 30A resolveu não sei por que cargas d'água deitar sua poltrona, o que me acertou a cabeça, e os dois continuaram rindo. Eu me senti um palhaço para jogadores de futebol de Minnesota.
O avião decolou e fiquei um tempo olhando pela janela a beleza dos lençóis maranhenses que pareciam não terminar nunca. Algumas nuvens vieram, a natureza não mais me interessou e vez ou outra conversava com o rapaz da ponta. Ele me explicou que estavam indo para São Paulo para então voltarem aos EUA e quis saber se aqui havia comida mexicana. Disse que sim, claro, havia mexicana, grega, árabe, e ele começou a falar de esfiha e soltou um "Habib's", e eu ri, pois se o conceito de esfiha dele é o Habib's, o coitado não estava bem orientado, então disse a ele que Habib's aqui era como McDonald's no conceito de hambúrguer, acho que ele entendeu e o papo sobre comidas típicas findou-se.
Tive, então, a genial idéia de perguntar seu nome. "Tyler", e ele perguntou o meu, nos cumprimentamos com aquele "nice to meet you" que nós aprendemos nas primeiras aulas de inglês. O outro era Patrick. Tyler, Patrick e o resto do time fizeram uma espécie de treinamento em Natal, aprenderam algumas técnicas do futebol canarinho, enfrentaram o ABC e o América, perderam as partidas, mas gostaram, e como, da experiência que viveram num país do qual tinham aquela noção que todos os estrangeiros têm.
Daí as pequenas TVs do avião se abriram e começaram a mostrar o programa da instituição e logo Os Simpsons começaram. Tyler soltou um "oh, no", e eu não entendi. "Eu odeio esse desenho. Simpson é meu sobrenome. Então desde pequeno eu ouço essa coisa de 'ah, você é irmão do Bart?'", e ri, primeiro porque Tyler era uma figura engraçada e até parecido com a gente aqui, e segundo porque lembrei do meu amigo Rodrigo. Quando descobrimos algo que julgamos surpreendente, juntamos as mãos como se fôssemos o Mr. Burns recebendo a informação de que algo havia acontecido por causa de Homer Simpson e dizemos: "Simpson, hein?", bobeiras nossas, mas engraçadas. Ou não, sei lá.
Não perturbei muito um astro do cartum mundial, ele riu quando dei risada de uma parte do episódio, aquele em que Side Show Bob sai da cadeia, ele leu seu livro, Patrick pegou um papel e começou a escrever "August 17th, 2008, Today I..." como se fosse um diário, e percebia-se que eles tinham a obrigação de escrever aquilo, "que educação avançada", pensei, fazendo a correlação com nosso sistema e se nossos jogadores de futebol tinham o mínimo de alfabetização. Logo Tyler pegou uma pasta amarela igual à de Patrick, tirou a folha de fichário e também pôs-se a colocar no papel as impressões e as situações vividas naquele dia.
A viagem se estendeu sem muitos outros contatos, a não ser um em que Tyler queria dar um tapa na bunda cheia de uma das aeromoças. Tyler, definitivamente, era um cara de Minnesota com características brasileiras. Mas na verdade Tyler não é de Minnesota, e, sim, do Colorado, Broomfield, CO, como eles gostam de dizer. Tyler joga com a 00 nas costas, percebi em sua blusa vinho, e 00 lá é goleiro. O Patrick é 7, meio-campo.
O símbolo do Minnesota tinha um outro M, que depois vim a saber ser Morris, com os Cougars como mascote, pumas. Os pumas são dirigidos pelo técnico Christian DeVries. Não falei mais com eles, dormimos todos, depois não nos despedimos, e cada um seguiu seu rumo, eu para minha casa, ele para Miami e depois Minnesota.
Busquei na internet tudo que podia saber sobre Tyler, Minnesota Cougars, a universidade e tudo mais. O time encontrei aqui, e está lá, primeirão, Tyler Simpson. Tem um blog, em que Brian Curtis, que é auxiliar de DeVries, faz as "apresentações", e aí tem os textos de todos. O de Simpson é esse.
E se um dia eu vir Tyler como goleiro da seleção, vou sair dizendo para todo mundo que sei que ele não gosta dos Simpsons.
A escala de volta de São Luís foi Fortaleza, onde encontrei Marcelo Eduardo Braga (parabéns, Braga!), que assessorava a Pick-up Racing por aquelas bandas.
Minutos depois, andar acima no aeroporto, encontrei Dudu Massa e os pais.
Dudu me contava que o irmão Felipe já fez alguns testes nos simuladores da Ferrari para o GP da Europa. E comentou, com base no que disse o piloto da F-1: "O circuito de Valência é muito difícil. A pista é grande, tem muita curva."
São 25 num traçado de rua de quase 5,5 km. O tempo de volta deve ficar próximo da casa de 1min40s. Tem o fator calor, também.
Tudo muito propício para que o safety-car sacuda a corrida de domingo.
Logo mais, colocarei algumas fotos. Porque, além de o editor do computador não colaborar, ainda não me saiu da cabeça o que aconteceu com Fabiana Murer e o sumiço das varas.
Muito pior que o padre e Vanderlei Cordeiro de Lima na maratona de Atenas.
Seu Antonino, mais de 60, chapéu de palha, dentes faltando, sentado na praça
onde no centro há uma estátua sem o nome do homenageado. "É João Lisboa". Sim, o
grande João Lisboa que Antonino assim o acha, que dá nome à banca contígua do
centro histórico de São Luís. "É do século passado?", perguntei, e o senhor, com
uma risada típica de quem não sabe a resposta com exatidão e se vira com duas ou
três palavras na eloqüência que lhe foi dada principalmente pela geografia e
pelo histórico inclinado à literatura que esta terra tem.
Perto da praça
que se assemelha à cidade histórica com bandeirinhas de festa junina, ímas de
geladeira e outros apetrechos locais convidam a entrar para a aquisição de uma
lembrança local. Dois do primeiro item, uma daquelas garrafinhas com areia e um
porta-chaves em formato de peixe requerem o uso do cartão de débito, já
popularizado por estas bandas. A moça que me atendeu chama uma segunda num
corredor que leva a outra loja, esta pega o objeto com a tarja magnética, passa
na máquina e não obtém sucesso. De estatura mediana para baixa, olha para mim e
solta um "me perdoe" com tamanha piedade na voz que pedia encarecida e
verdadeiramente o perdão, do contrário se sentiria culpada e penitenciada pelo
resto de seus dias, seus olhos denunciavam tal verdade. Sorri e, claro, perdoei,
só Deus perdoa, e que crime ou castigo tinha cometido a solícita maranhense para
que pedisse perdão?, tudo isso veio em mente naquele instante quando uma
terceira rapariga apareceu para resolver o problema do pagamento.
Socorro
vende bugigangas e nomes próprios e de profissões em azulejos retangulares num
cubículo de metro quadrado ruas estreitas abaixo, perto da praia que some a cada
seis horas. O meu não havia de início, mas ela honrou seu nome e prontificou-se
em me ajudar a encontrá-lo na banca que fica na calçada. "Eu sei que tem, tem
uns três", falou, e ajeitou os óculos de longo uso dedilhando com destreza as
peças de seu sustento. Socorro não achou, mas foi eu adentrar sua loja para ver
o Victor liderando uma pilha de azulejos numa caixa. Riu e bateu palma quando o
viu, pegou uma moldura e o colou. Achei outro que me chamou atenção, em que
estava escrito "super amigo", comprei os dois, gastei 16 reais, ela pediu mais
um para dar troco de cinco, dei dois e deixei um por gratidão, ficou encantada
com o ato e me deu uma pulseirinha que logo amarrei no tornozelo direito, onde
já havia posto outra no réveillon de 2007. No processo de despedida, perguntou
minha procedência e se eu iria a Barreirinhas, que desconhecia até ela
mencionar. "Compre cosias de palha lá, é mais barato, sai mais em conta", deu a
dica e o tchau, pedindo que eu retornasse tão logo passasse por perto.
A
praia que some a cada seis horas é desses fenônemos espetaculares que pedem ação
à la São Tomé, e espero passar lá para vê-la cheia para que o barco atracado
possa seguir seu rumo mar adentro. A praia, perto das 11 da matina, estava seca,
incrivelmente seca, deixando à mostra os degraus quase brancos que foram
devastados pela ação do tempo, bem como a parede que a limita da calçada. O dono
da embarcação garantiu que, daqui algumas horas, por causa da maré, a praia
estará cheia. E quando estiver cheia, passarão seis horas até que volte a ser
deserto. O rapaz da van que nos guia confirmou o caso e riu quando falamos que a
causa pela cheia daquela praia se devia à chuva torrencial que assolou São Luís
por mais de duas horas. "Eles vêem paulista e querem nos enganar", comentei, e o
motorista tornou a rir, como fazem a maioria dos nativos, que para qualquer
motivo mostram um sorriso.
Foram umas quatro horas para visitar parte
desta cidade que, confesso, jamais esperava ser tão encantadora e fabulosa. Se
todo o Nordeste for como São Luís, abençoada seja esta região devastada pela
história e por fatores que 500 anos não puderam consertar, mas que essa gente dá
um jeito de driblar, simplesmente com sua cordialidade e, principalmente, com um
sorriso. Ninguém pode passar uma vida sem visitar São Luís, é a conclusão a que
chego de pronto.
E o tal Lisboa viveu 53 anos, e morreu na cidade
portuguesa que trazia em seu sobrenome. Político, escritor, importante na sua
época, mereceu reconhecimento e estátua, mas morreu frustrado. Não soube morrer
neste lugar. Não morreu feliz.
O kartódromo do Castelinho fica longe do hotel onde estamos hospedados, e a chuva (!) tratou de atrasar um trajeto que demoraria, creio, uns 20 minutos.
Fica localizado atrás do Castelão, e escrevendo isso que me toquei, oh!, puxa!, do porquê de ter este nome.
Castelão é o principal estádio de futebol aqui de São Luís, onde Moto Clube e Sampaio Corrêa costumam disputar suas partidas. Não no momento, afinal o local está em manutenção.
Aliás, o primeiro turno do Campeonato Maranhense ainda está para ser definido. O Moto ganhou o primeiro jogo da final na última quinta, 2 a 1, teve briga de torcida e o escambau.
São Luís, bela e fenomenal, não barrou os resquícios da burrice do vandalismo que ronda o esporte do resto do País.
Sabe aquela chuva que a gente vê em São Paulo em janeiro e fevereiro e o pessoal que mora na Amazônia praticamente todo santo dia? Chegou a São Luis do nada, assim, rápida, quando a capital do Maranhão marcava fácil 32 graus.
Daí a tal chuva apertou e nem para dar uma refrescada serviu. "Chuva de 20 minutos", previram os estudiosos em chuva. A chuva durou mais de duas horas, mas forte que foi uma beleza.
A chuva alagou boa parte de São Luís, que se é bela, tem um grave defeito nesse sentido: pouca vazão para a água empoçada.
Curioso foi ver que, enquanto as nuvens negras depejavam a tal chuva, formou-se no nosso horizonte uma faixa limpíssima de céu, que no caminho para o kartódromo viemos descobrir estar sobre o oceano.
Coisas da natureza desta cidade estupenda, cujos detalhes serão destrinçados ao longo do dia.
Na recepção do hotel hoje de manhã estava lá pousado O Estado do Maranhão, jornal que provavelmente deve ser o mais importante aqui do estado. Tem lá suas virtudes, mas cometeu alguns, digamos, pecados.
A capa trazia uma chamada considerável para o ouro de César Cielo Filho na natação em Pequim. Só não havia reportagem alguma no caderno esportivo.
As páginas deste suplemento faziam uma chamada para o jogo da Portuguesa no Campeonato Brasileiro. A foto que colocaram para ilustrar a matéria foi a do goleiro Sérgio. Além de distorcida, a imagem continha um pequeno deslize: o veterano jogador com a camiseta 12 do Palmeiras.
Detalhe é que O Estado do Maranhão pertence ao grupo Globo.
É o início de um trajeto no Nordeste que em poucas horas me surpreendeu. Principalmente São Luís. Porque não dá para falar de Recife com maior propriedade do que havia mencionado no post anterior, nem da Fortaleza da noite iluminada e chamativa, a qual só vi por alguns minutos no aeroporto.
A capital do Maranhão é daquelas cidades em que se enxerga e respira prosperidade. Também se respira um ar bem mais puro, com uma brisa necessária pelo calor presente nos 12 meses do ano. É quase 2 da manhã e os termômetros marcam 26 graus. Erro ter saído de calça.
Começarei pelo fim: o Por Acaso foi a balada escolhida para ao menos se dar uma observada. Toca uma música eletrônica atual e meio retrô e vive lotada. Nei foi o representante para as negociações com os seguranças para que pudéssemos verificar o agito. Depois de observar o espaço pequeno e a lotação, desistimos. Ao lado há o Cafofo, um barzinho com música ao vivo, geralmente MPB. Cheio, também, mas comum.
Mas as mulheres de São Luís impressionaram. Não têm aquela feição que acabamos fazendo da nordestina. A maioria bem vestida, chamativa, de cabelo liso, bem vestida, bonita, mesmo. O sábado promete.
São Luís é uma cidade em construção. Muito se vê que há áreas e prédios na maioria de quatro suítes para serem erguidos, alguns com mais de 200 m². Tem Subway e Babbo Giovanni por perto. Nos carros há o predomínio das letras N e H. E como em Recife, as pessoas são absurdamente solícitas e simpáticas.
Indicaram a Cabana do Sol como lugar para se comer bem. De fato: uma carne de sol que foi suficiente para quatro pessoas, com uma farofa de carne seca, um arroz simples, um feijão que não foi tocado por ser verde, a pimenta ardida e a banana à milanesa. Mas Jesus foi quem se destacou.
Não o Todo-Poderoso barbudo. Jesus é a marca de um refrigerante que só faz sucesso por este estado. A história é das mais curiosas: Jesus, rosa, assim que foi lançada, começou a tirar da Coca-Cola a hegemonia na preferência e nas prateleiras. Temerosa, a companhia estadunidense resolveu comprar Jesus. E aos poucos foi tirando-a do mercado. Só que percebeu que seu ato foi em vão, já que as vendas de seus produtos continuaram estagnadas. A solução foi "repaginar" o visual de Jesus e colocá-la novamente à venda. O logotipo lembra, e muito, a marca de Ídolos, aquele programa de talentos musicais, ou não, que era do SBT e será exibido em alguns dias na Record.
O Maranhão tem orgulho de Jesus. Bebi Jesus e confesso que não achei aquele guaraná de cor calcinha algo dos mais agradáveis. O garçom maranhense dá nota oito; o que não é faz muxoxo, e sendo eu parte dos "forasteiros", entendo.
De qualquer forma, vou levar Jesus comigo de volta.
Primeira escala das duas que só os serviços Tiago Mendonça podem fazer por nós. Comigo estão os companheiros velhos de guerra Guto Oliveira e Nei Tessari, além de Rodrigo Mora, que trabalha, até onde TM me disse, do programa Auto Mais (seria Automais? Ou Auto+?), da RedeTV!.
Recife, capital do Pernambuco. Nunca vim para cá. Olhando de cima, a quantidade de verde antes de chegar à cidade é simplesmente deslumbrante, que leva a pensar como tudo isso foi criado, etc. e tal. Sem encontrar uma resposta, sobretudo ao etc. e tal, a aproximação à metrópole não causa lá a melhor das impressões.
Não vi as praias, só um conjunto de prédios coloridos. Até comentei com Nei se não se tratava de um bairro gay do Recife. Depois uma seqüência de residências, algumas ruas de terra em meio a outras asfaltadas, o tempo nublado e não aquele sol escaldante, 28 graus segundo o comandante da aeronave da TAM.
Aliás, o vôo. Primeiro que eu, na 3A e Nei, ao lado, sofremos com o rapaz de uns 60 anos, camisa amarela e passaporte no bolso, que se pôs a roncar com gosto tão logo foi feita a decolagem. O bigode, aquele moustache grisalho, tremia com a vibração nasal. Tememos pelo pior: a cada roncada, uma turbulência. À frente, a moça e seu filho de dois anos loiro, pimpão. Que começou a chorar e incomodar.
Parecia que os assentos estavam mais apertados do que o comum e o calor era maior para o espaço interno de um avião. Logo vieram as aeromoças para servir comes e bebes. Na verdade, um come. Que na verdade não era um come. Veio uma coisinha num pedaço de papelão que foi identificada como "galinhada de arroz com pequi e quiabo". O doce verde veio sem nome; estava bem doce, mas pelo menos tirou o gosto ruim da boca.
Li um conto de um livro de Agatha Christie. Não me lembro como se chama e também a preguiça e a fome me impedem de tirá-lo da mala. Degusto um bolinho de bacalhau e espero pelo camarão. Nada típico: trata-se da Vivenda do Camarão. As garçonetes, deus, são extremamente educadas e agradáveis. Nem mesmo o pedido de gelo para colocarmos na bebida, que teve de ser feito três vezes por Mendonça, tiraram tal impressão. Aqui no aeroporto tem a Pizza Pronta, o Sweets, o Romar e um Bob's. Não vi McDonald's, mas tem um Bob's. Como pode, Bob's? A única coisa boa que tem no Bob's é o milk shake de Ovomaltine.
Amanhã vou para um lugar que é relacionado a uma importante nação européia, de forte presença literária, poética e musical de um determinado ritmo, com quase um milhão de habitantes. Tem uma característica apenas encontrada em duas outras cidades, uma do Sudeste e outra do Sul. Dois conhecidos cantores lá nasceram.
Dica: sua história lembra um salto e sua paisagem, cama.
Um joguinho das pistas. A resposta vem quando eu estiver lá.
Li há pouco as recentes colunas Ooops!, de Ricardo Feltrin, que evidenciam a batalha que a Record trava com a RG para ser a primeira emissora do País e da forma que vai utilizar os produtos que recém-adquiriu — Olimpíadas de Inverno em 2010, Pan 2011 e Olimpíadas em 2012 — a fim de obter vantagens. Além disso, a TV dos bispos quer Cleber Machado, algo que Rodrigo Borges já havia desvelado no começo da semana.
Há duas semanas, estive conversando com importante membro da área esportiva da RG, que estava ao lado de outro conviva de igual valia. A opinião do primeiro é forte: a RG vai ser ultrapassada pela Record em audiência já em 2010. "A Globo apanha de manhã, iguala no começo da tarde e ganha até a hora da novela. Depois toma nabo de novo", simplificou os dados fornecidos pelo iBope, que realmente atestam tal fator.
Foram feitas críticas pesadas a Ana Maria Braga ("ela é muito fraca"; "o programa é muito ruim") e a Jô Soares ("pediram para ele deixar o entrevistado falar mais"), ao formato do Jornal da Globo e à linha de shows noturnos ("Casseta e Planeta está ultrapassado e o resto é uma merda") e ressaltou o trabalho da concorrência. "Até aquele Fala que eu te escuto está bom. Eles estão usando os melhores repórteres e fazendo matérias boas para debate", disse.
E o SBT também é ameaça. "O Silvio dá um calor toda a noite com Pantanal. E ele acertou ao colocar séries ótimas de madrugada (como OZ e The Soprano's)." Também de manhã, o canal de SS chega a empatar na liderança e por vezes ser primeiro absoluto na audiência na capital paulista. Pergunto se não se trata de uma análise bairrista, afinal só inclui a principal cidade brasileira. "Mas aqui é tudo mais importante", apontou. "Um comercial de 30 segundos em São Paulo é quase dez vezes mais que no Rio de Janeiro. São Paulo tem um valor absurdo."
"Eu só quero ver como vão fazer nas Olimpíadas", alertou, e até então a Record não havia anunciado a compra dos outros dois eventos supracitados. A Record tem o dinheiro que todos sabem de que forma é obtida, através da "fé" dos fiéis da IURD, e inflacionou os eventos esportivos. Só fracassou em tentar roubar da RG a F-1 e o Campeonato Brasileiro.
Aparte as novelas e sua área jornalística, a Record tirou Maurício Torres, Milly Lacombe e Debora Vilalba do sistema Globo e quer fazer de Cleber seu homem-forte das três competições. O "segundão" às vezes demonstra sutilmente sua insatisfação com tal posição ao se referir a Galvão Bueno em seu programa, o Arena SporTV, como o "titular". Cleber está há quase duas décadas na RG e tem talento evidente para dar o salto que merece. E é de se questionar se agüentaria até 2014, quando Galvão prometeu se aposentar, o posto que ocupa. Some-se a isso o fato de a emissora ter cometido o grã-erro de não o ter levado para Pequim — aliás, a Bandeirantes, a outra única TV aberta que comprou os direitos das Olimpíadas atuais, levou Luciano do Valle, Silvio Luiz, Osmar de Oliveira, Nivaldo Prieto, Eduardo Vaz e Álvaro José como narradores, enquanto a RG só tem Galvão "in loco".
Talvez seja exagero considerar que a RG seja ultrapassada já em 2010. A concorrência trabalha para isso com força total, não há dúvida. Mas a RG tem feito uma força imensa para perder seu status até então inabalável.
A assessoria de Felipe Lapenna confirma que o paulista que disputa a Pick-up Racing foi sondado para ser um dos pilotos do Corinthians na F-Superliga, que começa entre os dias 30 e 31 de agosto.
Como sempre acontece, disse que houve o contato e que estão em negociações. O Blog Victal tentou falar com Lapenna, que está em Fortaleza para a disputa da etapa deste fim de semana do campeonato, mas não obteve sucesso.
O Brasil acaba de perder a terceira partida seguida no basquete feminino, 79 a 78 para as adversárias.
Mas o "scout" do jogo é que Cleber Machado, do terceiro quarto até faltarem uns três minutos para o fim do jogo, chamou a Letônia cinco vezes de Lituânia até ser corrigido perceptivelmente por alguém na produção.
E em nenhum momento ninguém da transmissão da RG — e aposto que das outras emissoras também — ousou tratar as jogadoras da nação báltica por seu gentílico. Era sempre algo como "Seleção da Letônia".
Estou no aguardo de um letoniano, letônio, letonense ou letal.
A Sociedade Brasileira de Urologia está fazendo uma campanha de alerta à impotência sexual. Até colocou no YouTube um vídeo de 30 segundos de sua propaganda. Que vem a ser este, para ser mais preciso:
Reparou no "astro" do início ? Não? Em todo caso, reveja... porque o rapaz é conhecido. Digamos... ele tem... outras atividades. Tipo, ele pilota o carro número 1 abaixo. Ele bate uma...
Ao ver a tal Ketleyn Quadros, do judô, não pude deixar de lembrar de um episódio ocorrido há 19 anos.
Praia Grande, tínhamos um apartamento, e lá estávamos eu e meus pais. A porta estava aberta, e surgiu uma moça, filha da síndica, com uma cadela poodle daquelas bem sem-vergonhas no colo. Apresentou ela mesma e o animal branco e começou a puxar assunto com minha mãe. Meu pai, ser dos mais desatentos e péssimo para dar informações — ele achava até pouco tempo que eu trabalho na ESPN! —, ouviu a tudo e, desinteressado, preferiu ver TV.
Uns dez minutos se passaram, e a madame resolveu soltar a cadela. Vendo que o bicho se aproximava, meu pai não teve dúvidas: começou a estalar os dedos chamando-o e gritou: "Vem, Suzy, vem, vem, vem..."
A madame interrompeu a conversa com minha mãe. "Não, não... Suzy sou eu, a cadela é Ketleyn."
Meu pai seguiu brincando com a cadela enquanto minha mãe procurava um lugar para enfiar a cara levemente corada.
Jogo parelho, 28 a 27 para o Brasil no handebol feminino, uma vitória praticamente garantida. Restando um segundo para o fim do jogo, falta para a Hungria, da linha de 9 metros. A equipe magiar arma uma estratégia, faz uma barreira para a atleta que vai fazer o arremesso, juiz apita. E o gol de empate...
Terra Samba (ou Terrasamba?) e Xuxa tocando na arena do vôlei de praia. Além de Chumbawamba, M People e Avril Lavigne.
As orelhas do português Pedro Dias, que ganhou de João Derly no judô. "Alfaces", definiu o solerte Francisco Luz.
O Myke Carvalho perder por um atleta das Ilhas Maurício (que, para o SporTV, era da Mauritânia). Seja Maurício, Mauritânia, mau resultado. Seja na ilha ou no país africano, quantos centros de treinamento de boxe devem haver?
Dinamarca momentaneamente em primeiro na vela na classe 49er.
Silvio Luiz, durante o jogo de handebol, na Band: "Daqui a pouco, a estréia do vôlei brasileiro, o time de Bernardinho, aqui nos Jogos Pan-americanos de Pequim."
Foi no fim da
segunda-feira que Tony Kanaan viveu um vaivém que poderia ter sido simplesmente
uma passagem, um rito de prolongamento de um acordo para mais um ciclo, o final,
na Andretti Green. O brasileiro precisou passar por um périplo de conversas,
dias mal dormidos e estresse para se mostrar um bom filho que da casa de onde
pretendia sair logo tornou.
E é na AGR que,
provavelmente, Kanaan vai encerrar sua carreira em 2013.
O 4 de agosto,
incomum em termos contratuais, era a data final para que a equipe de Michael
Andretti manifestasse seu direito de opção para continuar com Tony, visto que se
tratava do último dos cinco anos de vínculo entre as partes. A Andretti Green
não o fez, e como conseqüência liberava o piloto para conversar, deliberar e
acertar com quem bem entendesse.
Só que, se se
imaginava que a Penske iria atrás dos serviços de Kanaan — em virtude dos boatos
do começo de temporada, quando Ryan Briscoe dava motivos de sobra para receber
demissão por justa causa —, foi Chip Ganassi quem, na quarta, expôs toda sua
vontade e alguns bons milhões de dólares de fechar com
Tony.
A fluência das
negociações apontava para que Kanaan virasse o companheiro de Scott Dixon a
partir do ano que vem, possivelmente com um anúncio engatilhado em comunicado
imediato. Tony viu uma cláusula que não gostou, referente à duração do contrato:
o baiano aprecia a longa duração, e a Ganassi oferecia uma parceria anual com
opção de renovação. Também, Kanaan tem uma gratidão profunda por Andretti, que o
contratou em 2003 e lhe deu a chance de ser campeão no ano seguinte.
Por sua vez, a AGR
não ia deixar barato, deixar que seu maior representante na luta por vitórias e
títulos, o professor-tutor do trio Marco Andretti-Danica Patrick-Hideki Mutoh,
saísse assim de bandeja. Michael chamou Kanaan para trocar uma idéia. Tony pediu
um tempo para refletir, e o resultado foi um novo acordo de cinco anos, que deve
ser o último da passagem de Tony pela F-Indy. “Sei o que podemos fazer nesse
tempo e me retirar com um grande retrospecto na equipe”, declarou o piloto em
primeira-mão ao Blog Victal.
“Eu consegui ficar
sozinho, pensei bastante e decidi que queria continuar com a AGR. Agora estou
muito feliz e aliviado por assinar um contrato que me manterá por um longo tempo
na Andretti Green”, comentou.
A notícia chacoalhou
o meio. Ganassi ficou até agora sem entender. Kanaan mal dormiu direito na
última madrugada, e em meio à turbulência já foi para a pista para o primeiro
treino do fim de semana em Sparta. Nome que representante uma ironia pela
lembrança àquela região da Grécia, da odisséia — que no caso de Tony foi de três
dias.
A delegação de Senegal entrou no Ninho de Pássaro em Pequim com uma faixa, em francês. A transmissão oficial fez questão de cortar, fechando a imagem até que o pano, destes feitos para supermercados, não aparecesse na tela, e depois fechasse na porta-bandeira.
Creio que coisa boa não era, visto pelo prisma do governo chinês. Mesmo o diretor de imagem, o câmera e provavelmente 99% dos chineses não terem a mínima idéia do que estava escrito.
11h50, transmissão da RG, e falam sobre a duração da cerimônia de abertura dos Jogos Olimpícos e do quanto cansa aos atletas. A imagem capta os atletas brasileiros sentados, depois da euforia que fizeram. Galvão Bueno fala, critica como "homem de televisão" o arrastamento do evento e passa a palavra a Marcos Uchôa.
Fui só eu que ouvi vazar o som do Galvão falando "é um saco"?
Faltam pouco mais de sete horas para o início da cerimônia de abertura das Olimpíadas em Pequim. Eu acabo de ver Lost, a quarta temporada, igualmente na regressiva para que venha logo a quinta. Quero muito comprar um ingresso para ver Os Improváveis. Terei quatro dias de folga a partir desta sexta.
Alguém poderia acrescentar que além da morte, a outra certeza que temos na vida é a influência do tempo.
Não que tenha passado por uma reforma violenta, mas sofri para mudar algumas coisas deste blog para acrescentar algumas facilidades, como link e últimos posts.
Agora, à direita, o internauta pode encontrar no Victal as postagens mais recentes. E ao lado dos comentários, a URL para cada um deles.
Paulo Carcasci, representante da Eurointernational — equipe que vai gerenciar o time do Corinthians na F-Superliga —, falou ao Blog Victal que o Corinthians não está treinando nesta semana em Vallelunga porque não definiu quem guiará o carro alvinegro nem o patrocínio.
"A equipe ainda está aberta a negociações. Não foi para a pista porque ató momento não tem piloto definido e não queria alguém que não fosse nos representá-la na corrida de abertura", comentou Carcasci. "Além disso, não há patrocínio definido ainda, então faz sentido guardar dinheiro para Donington."
O circuito inglês recebe a abertura do campeonato em 30 e 31 de agosto.